O Início - Porque resolvi criar um blog


Vou contar para vocês, um pouco sobre minha experiência profissional e tudo que vivenciei nessa empresa.
Trabalhei dois anos no setor de Recursos Humanos, de uma Indústria Metalurgia de médio porte. Foi a minha primeira experiência na área, então comecei ajudando nos arquivos, atendendo funcionários, entregando holerites, abrindo vagas nas agências, separando currículos e acompanhando entrevistas. 
Como muitas pessoas que trabalham na área já sabem, a melhor maneira de saber o que acontece dentro de um chão de fabrica, com relação a satisfação no trabalho, é mantendo contato direto com os trabalhadores, conversando e conhecendo cada um deles. Como eu trabalhava na entrega dos holerites e no atendimento, eu mantinha muito contato com essas pessoas e podia ouvir constantemente suas reclamações. Sim, reclamações. Porque dificilmente eu ouvia algum elogio, ou sugestão. 
Durante os meus primeiros meses nessa metalúrgica, o departamento funcionou como um depto. pessoal que fingia ser RH (depois não mudou muita coisa, vocês vão saber o porque logo adiante). Toda reclamação era entendida como funcionários que não valorizavam o emprego que tinham e que só sabiam reclamar. Afinal, a empresa pagava o salário deles em dia, o que mais eles queriam?
Dura realidade, mas que, mais ou menos, seis meses depois da minha entrada, uma pessoa veio ocupar o cargo de Supervisora de Recursos Humanos, que até então, não existia e que trazia consigo, a promessa de um RH de qualidade.
Como muitos, eu me empolguei demais, criei grandes expectativas de aprendizagem, pois nessa época eu estava começando a minha graduação em Gestão de Recursos Humanos.
Logo vieram as mudanças e eu fiquei responsável por todo recrutamento e seleção, função que abracei, mesmo ainda não possuindo toda a experiência que julgava necessária para tal. Foi muito difícil no começo, porque eu não sabia nenhuma técnica de seleção, o máximo que eu tinha era o conhecimento que adiquiri vendo a "gerente" administrativa entrevistando as pessoas, que não tinha técnica nenhuma, era apenas um bate papo formal. E me lembro muito bem, das vezes que procurei a ajuda da minha supervisora e essa, por sua vez, também não sabia como me sanar minhas dúvidas. Mesmo tudo sendo tão vago, acho que não me sai tão mal.
Foi uma fase difícil, de mudanças e que trouxeram muitas experiências boas. Como a primeira pesquisa de clima organizacional. Eu me senti excepcionalmente realizada em fazer essa pesquisa, porque eu sabia que assim, as pessoas poderiam entender melhor o que se passava com aqueles funcionários "reclamões". Bom, como não podia deixar de ser, o resultado foi muito ruim. As insatisfações maiores estavam na segurança do trabalho, liderança, benefícios e estabilidade.
Como estávamos começando, resolvemos optar pelo problema que tinha maior número de reclamações, que era a segurança no trabalho, que até então, a empresa estava em torno de 100 funcionários e não havia nem um técnico no local. Contratamos um técnico, ótimo profissional, que conseguiu realizar mudanças satisfatórias na empresa.
Os outros fatores não foram levados em consideração, principalmente pelos recursos que nos disponibilizaram.
Durante esses dois anos que trabalhei na empresa, o número de funcionário duplicou, chegamos a margem de 180 funcionários em pouco tempo, mas as instalações permaneciam as mesmas, tanto banheiro, vestiário e refeitório.
Os funcionários do chão de fábrica reclamavam muito, tanto das instalações da empresa e também da falta de  ferramentas para trabalhar e assim, tinham que andar de setor em setor, para buscar ferramentas emprestadas. Isso é um assunto delicado,  porque, segundo o diretor da empresa, ele havia comprado ferramentas a pouco tempo, mas os funcionários não cuidaram e quebraram ou sumiram com as tais. 
Como eu disse, eu fazia o recrutamento de novos funcionários, e sempre tinha vaga aberta para caldeireiro. Eles entravam, quando não trabalhavam duas semanas e pediam a conta, eram demitidos sem muitas justificativas. Foi aí, que resolvi criar a famosa entrevista demissional. Todos os caldeireiros que pediam demissão, alegavam a falta de ferramentas para trabalhar, a falta de acompanhamento por parte dos líderes nos primeiros dias para instruí-los quanto ao serviço, etc. Eu reportei esse problema para minha supervisão, que chegou a levar isso a diretoria, mas parece que se cansou depois de um tempo, e esse já era um problema sem importância. Afinal, era muito fácil abrir vaga, contratar outro funcionário e torcer para ele não se incomodar com esses probleminhas. Fácil, porém caro. Mas, quem se importava?
O número de vagas que eu abria por mês era incrivelmente alto para uma empresa do nosso porte. Já tive que abrir vagas no final do ano, para substituir todos os líderes da empresa. Eu tinha duas semanas para dar jeito nas 18 vagas urgentes, antes de sairmos de férias coletivas. Sorte a minha, que eu já conhecia muito bem as estratégias da empresa e logo quando voltamos das férias, pelo menos metade das vagas já haviam sido canceladas, para meu alívio. Afinal, conseguir 13 líderes em tão pouco tempo, é muito desgastante e digamos, quase impossível.
Para não prolongar mais ainda, vou pular para os meus últimos dias na empresa. Eu já tinha chegado no meu limite, eu ia trabalhar muito estressada porque nada do que eu tentava passar para minha supervisora era reconhecido, ela sempre me olhava com uma cara de paisagem, como quem dizia "não posso fazer nada". Ouvi absurdos de "motivação é algo interno e nós não podemos fazer nada por eles", ou, "vamos acabar virando casa de caridade" (isso porque sugeri servir pipoca e refrigerante na copa do mundo, para os funcionários não saírem da empresa), até a mais absurda e desmotivadora de todas "O que você aprende na faculdade não se aplica a realidade". Essa com certeza, foi o limite de tudo o que eu podia aguentar. 
Saí da empresa, fiquei um bom tempo duvidando da minha capacidade e achando que todo dinheiro que investi num curso não serviu pra nada. Muitas vezes pensei em abandonar a profissão e fazer qualquer outra coisa da vida e, para ser sincera, ainda penso se realmente tudo não foi minha culpa, por sonhar demais com um RH exemplar, que talvez nem exista.
Por isso, resolvi criar esse blog. Quero compartilhar com as pessoas tudo que aprendi e vou aprendendo com minhas pesquisas, para dividir opiniões e entender, no que realmente eu falhei.

(Aconteceram muitas coisas no decorrer dos dois anos, obtive bastante experiência gratificante e a empresa progrediu muito, mas infelizmente pra mim, as coisas ruins superaram as boas).



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